Um mês de muita correria e cansaço me fizeram sumir do meu cantinho mas li uma reportagem dia desses num dos blogs do estadão que simplesmente me cutucou até eu vir aqui e soltar a minha opinião: A matéria é sobre “o fim do Baixo Augusta” e da suposta elitização do pedaço marcado pelo fim do Clube Vegas.
Para tudo. O movimento cultural da Augusta não começou com o Vegas e não acabará com a falência do mesmo. Há +- 8 anos atrás pisava eu na inauguração do não extinto Clube Outs para um show da atualmente toda reformada banda Forgotten Boys. Era o Outs, o Balneário, o Casarão e um milhão de outros clubes parecidos em volta, as prostitutas e os cafetões ainda dominavam o lugar em quase 100% e a rua era deteriorada e só para os mais corajosos. O Outs veio logo depois do fim do saudoso JukeJoint ou Subjazz (como você preferir) que ficava ali do ladinho, na Frei Caneca e já era casa de muitos alternativos que hoje devem beirar os seus 40 anos. Milhas depois, apareceu o Vegas que virou hit.
O Vegas não era reduto de gente alternativa, era reduto de gente ligada no 220v, arroz da night, verdade seja dita! Em sua maioria movida à muitos aditivos para aguentar aquele after que rolava até as 10horas da matina. Era um nicho. E o Vegas acabou não porque a Augusta elitizou ou blá blá blá mas sim porque os seus frequentadores cresceram, cansaram de ver as mesmas caras e ouvir as mesmas músicas e com o fim do Ecléticos, segurar o after ficou mais complicado. Acabou porque toda balada muito extrema, cedo ou tarde, chega ao fim.
Claro que antes do fim do Vegas veio a valorização imobiliária, a falta de espaço nos bairros nobres, a facilidade de morar quase na avenida símbolo da cidade… e de repente, olha o potencial enorme de um lugar que há muito tempo era lembrado apenas como reduto de primas. Mas isso é São Paulo. Quem não ficou triste em ver o que restou do Subjazz sendo demolido para virar prédio?! Blame it on the Plano Diretor, super falho na cidade. Mas vamos ser justos: esse item tem pontos positivos e negativos. Sem contar que algum outro jornalista do mesmo grupo, há apenas 5 anos atrás, citou a região como “falida”. 5 anos hein (ai o jornalismo e seus jornalistas, amo e odeio).
Conclusão que chego, relembrando que quem vos escreve é frequentadora assídua do baixo Augusta há mais de oito anos, só saiu do fim da rua e foi pro começo, da balada ao bar e restô, presenciou e fez parte das mudanças do local; é que a essência do trio (augusta, frei caneca e bela cintra) é a mesma. Talvez do que os mais nostálgicos sintam falta é de não precisar mais de tanta coragem para frequentar o lugar e se incomodam quando cruzam com novos habitantes nem tão desbravadores que só chegaram agora.
Pode ser que essa extinção alternativa na região um dia chegue, que esse tal de “gentrification” acabe com tudo, mas os nativos claramente não querem ceder seu espaço. Sobraram alguns puteiros, botecões não faltam para servir o esquenta, a sorveteria que os vegans adoram permanece, baladas com bandas de rock em sua maioria não muito cheias exceto em raras ocasiões persistem, ainda rola matine com bandas em ascensão e mais pra cima muitos bares e claro, o bom e velho espaço unibanco que mais alternativo na raíz não tem. Eu espero pelo melhor, nostálgica sinto falta de como era antigamente mas como eu cresci nos Jardins, não lido bem com os falidos que frequentam a região pra fazer pose e nem de lá são, a muvuca da Vila Madalena me assusta e o Centro é muito espalhado e ainda de difícil acesso à veículos, não desapego do Augustão e acredito que muita coisa boa foi, muita coisa ruim chegou mas que tem muita coisa por vir antes de por um ponto final na história da Dona Augusta.


















































